sexta-feira, 18 de março de 2011

Meu desabafo desconexo... Desculpa mas esse texto só eu entendo.


“Veremos”, aquele verbo conjugado na primeira pessoa do plural, futuro do indicativo do verbo ver. Algo incerto, relacionado ao depois, algo que não depende de você, nem de mim. Algo abstrato, imaginado, muitas vezes querido, sonhado e buscado. “Veremos”, nesse caso não significa ao pé da letra “ver”, mas há uma hermenêutica mais ampla. Um expressão que gera um suspense, o qual me faz perguntar a mim mesmo se isso irá acontecer.

Por acaso você conhece aquela tendência básica do suspense? O mesmo que cala o ambiente e deixa uma certa expectativa do que acontecerá na próxima cena. Quando falamos nesse assunto imaginamos que estamos tratando de filmes, histórias contadas, ou até mesmo escritas, poderia ser em contos, lendas, fábulas [...], mas isso a que me refiro, meus queridos leitores, é a vida real. O que não percebemos é o suspense que nos espera no simples amanhã, naquele simples ato de ir caminhando até a faculdade, no fato de sentar na mesa com a família e almoçar todos juntos. Um dos problemas na sociedade atual é viver o hoje querendo que fosse amanhã. Esperamos tanto o amanhã 'incerto' que não damos valor ao hoje que até o presente minuto é 'certo'.

Será que os seus amigos de hoje serão os mesmos de amanhã? Me diga, quantas pessoas já passaram por sua vida e já se foram? E você não está ai, vivo? Seguindo seu caminho? Lutando pelo seu sonho? Existem alguns questionamentos que são construtivos, ou seja, necessários para um real compreendimento e aceitação da vida. Você pode até contradizer cada uma das perguntas, mas no fundo, bem lá no fundo cada um sabe a verdadeira resposta.

Pensar no futuro é muito importante, mas devemos aproveitar o percurso até ele. A priori o encaramos como algo bom, mas parando para refletir nunca vi ninguém sair vivo dele. Uns vão antes, outros depois, mas todos um dia se vão. Glorificamos o "depois", mas quando o "depois" chega ele vira o "agora", e esse mesmo "agora" logo virará o "antes", e nada nem ninguém vai mudar isso, é o curso natural das coisas. Até o momento que chegarmos ao final e não temos mais pra onde ir, aquele hora onde as coisas mais importantes são as lembranças dos momentos que vivemos um dia no presente, que agora recebe o nome de passado.


Afonso Mello

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